Pelo outono, a colheita do milho coincide com o amadurecimento dos marmelos. Então, Srª Brazalina, nas tardes de domingo, confecionava a marmelada em sua casa. Enquanto isto, as comadres aguardavam pelo pôr do sol para recolher os grãos de milho estendidos nas eiras para secar. Srª Brazalina preparava uma massa com farinha, gordura, água e sal, e trabalhava-a na sua mesa para poder tender, com uma garrafa (por não ter rolo da massa), o mais finamente possível. Utilizava canas de milho, cortadas entre nós, as quais eram enroladas com tiras da dita massa.

Eram fritas em azeite ou em banha ao lume, que depois se separavam das canas, ficando fitas enroladas parecidas com fitas de carpinteiro.

 

Dada a sua criatividade, recheava-as com marmelada virgem (marmelada ainda sem atingir o ponto) salpicando-as com o açúcar e canela, presenteando-as às suas comadres. E assim se repetia este hábito no outono.

Alda da Tenda e Laurinda da Viúva para alegrarem a pequenada, preparavam estas fitas, mas recheavam com um doce feito com gemas e açúcar, já que o marmelo é um produto sazonal, e polvilhavam com açúcar e canela. Com o surgimento do óleo alimentar, começam a fritar em óleo por questões económicas e pelo sabor mais neutro do produto.

Lindolfo Ribeiro, nascido em fevereiro de 1949, outrora uma dessas crianças que se lambuzava com as Fitas de Carpinteiro, sendo bisneto de Brazalina e neto de Laurinda da Viúva.

O nome Fitas de Carpinteiro deve-se à semelhança do doce com as fitas extraídas da madeira, aquando os carpinteiros aplainam manualmente as tábuas de madeira, utilizando para o efeito uma plaina ou uma garlopa.